A comunicação empresarial antes e depois da comunicação

0 Postado por - 15 de março de 2016 - Comunicação Empresarial

Há muitos anos percebi com clareza que para cuidar da comunicação de uma empresa (ou instituição), muitas vezes era necessário reorganizar, entrar, interferir no próprio negócio, na organização.

Tive alguns clientes nos quais meu único trabalho foi este, ajudar a reorganizar a empresa, o negócio, de modo que a comunicação pudesse produzir os efeitos que dela se esperavam. Comunicação mesmo, o objeto do nosso contrato, acabou que nunca fizemos…

Isto pode parecer estranho, mas é o que acontecia e acontece. Muitas vezes aparecem prospects que nos apresentam um negócio, uma empresa, um produto, um serviço para o qual querem serviços de comunicação. Mas, nos inteirando da coisa, percebemos que antes da comunicação propriamente dita, temos que nos ocupar em dar um formato, consolidar, fundamentar, dar um corpo tal ao negócio, de modo que possa ‘suportar’ a comunicação em si.

A Função Oculta

Isto me faz perceber uma função oculta dos serviços de comunicação: dar consistência, acabamento, solidez, coerência, estrutura ao negócio, à empresa a partir das exigências – digamos assim – da comunicação. Em outras palavras, não dá para comunicar de verdade, efetivamente, se não há um conjunto crível, uma história real, uma base que sustente tudo o que a comunicação precisa dizer. E isto, obviamente, tem que ser feito, produzido, estabelecido, antes da operação da comunicação.

Na Comunicação – e agora, também na Publicidade

Essas reflexões me vieram à mente ao ler a entrevista que o Eduardo Simon, presidente de uma das mais afamadas agências, a DPZ&T, deu à Folha de SP em 25 de fevereiro (página A22, Caderno Mercado). O título de certa forma já demonstra a mudança que o advertising vem sofrendo nesta época de interconexão geral – ‘Agência de Publicidade precisa ir além de encantar ‘– e nele ele reconhece que “ Se no passado o negócio da publicidade podia ser resumido na entrega de uma campanha, com uma remuneração atrelada a uma comissão pela veiculação na mídia, hoje o publicitário interfere no próprio negócio do cliente”. E vai adiante: “ A gente não está mais aqui para ajudar as pessoas a dar risada com um comercial de cerveja. Eu preciso ajudar a marca de cerveja a encantar e a resolver os problemas de distribuição. A ajudar a entender se ela está ou não errada no posicionamento de preço. Este é o mundo novo que a gente está vivendo”.

Bem, não para nós da comunicação dirigida, que vai dos serviços de Relações Públicas à Assessoria de Imprensa, mídias sociais, relacionamento com os diversos públicos de uma empresa, produção de diversos conteúdos e por aí vai: já percebemos e atuamos assim há muito tempo. Que bom que nosso modo de ver a comunicação acabou por demonstrar seu valor.

A importância da comunicação na era da interconexão, um erro pode ser fatal

O ‘Depois’ da Comunicação

De uma hora para outra, com a mudança de paradigma a comunicação, que já era importante para as empresas e instituições, para a ser fundamental, crítica, decisiva. O que mudou ? Saímos do (a) ‘broadcast’, onde quem tem os meios de comunicação, jornais, rádios, tevês, fala, e os outros todos, nós, o público, ouvem, sem ter como responder ou participar, para (b) a emergência da interconexão, quando os meios, os veículos de comunicação tornam-se accessíveis para todos e aí um fala para todos, todos falam para todos e todos falam para um.

Hoje (ao contrário de ontem, quando a comunicação era parte ou submetida ao RH, ao MKT, por exemplo) a comunicação reporta-se diretamente à presidência, aos CEOs, e algumas vezes, aos acionistas. Uma crise de comunicação tem poder explosivo nesta nova ordem inaugurada pela conexão fácil e irrestrita.

Em outras palavras, neste “novo mundo’ a comunicação não depende e não é mais controlada apenas  pelos comunicadores e publicitários. Hoje em dia, com a interconexão – Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, Blogs etc -, poderosa para criar espontaneamente o que se denominou por sua característica de contaminação de “viral”, temos um novo interlocutor: o cliente, o consumidor, o público em geral, que também vem trazer sua visão, sua colaboração, sua opinião à empresa, produtos, serviços, distribuição e comunicação.

O que passa a exigir da empresa, da instituição um olhar atento, participativo, proativo. Uma postura de ir ao encontro do seu público e interagir realmente com este. Já se falou que hoje qualquer empresa ou instituição tem que ser também, simultaneamente, uma empresa de comunicação.

Sempre apostamos que esta é a melhor comunicação: a que aproxima, congrega, contém empresa, clientes, consumidores e o público em geral. Ou como o Eduardo Simon diz: “O marketing (ou a comunicação, digo eu), acontece em tempo real. Não é uma invenção que as agências estão querendo colocar no mercado. E essa mudança na interface da comunicação altera e interfere na entrega de produtos e serviços para o cliente. O uso de dados não serve só para melhorar a performance da campanha, mas também para melhorar o produto e o serviço.”

Sonhei com estes novos tempos desde que comecei a prestar serviços de comunicação, lá atrás. Que bom que chegaram !

Oswaldo Pepe


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