Arquitetura de Informação e as profissões decorrentes da era digital

0 Postado por - 26 de julho de 2013 - Arquitetura de Informação

Em 2005 comecei a trabalhar como Arquiteto de Informação. Não, eu não sou formado em Arquitetura e também estranhei um bocado o nome do cargo quando aceitei a oportunidade, ainda mais sabendo que o trabalho era realizado dentro de uma agência de Publicidade Digital.

Acontece que a Arquitetura de Informação é uma das várias especialidades que compõem a disciplina do Design, e depois eu fui descobrir que existe todo um mercado de profissionais especializados nisso. Por sinal, é um mercado que está em crescimento, dado o também assustador crescimento das interfaces digitais nas nossas vidas. Se você ainda tem dúvidas disso, aqui vai uma evidência numérica: uma busca no Linkedin revela que 874.967 pessoas dizem trabalhar em alguma área relacionada à Arquitetura de Informação e quase 8000 dessas pessoas entraram para o Linkedin nos últimos 3 meses.

Mas o que faz um Arquiteto de Informação?

O Information Architecture Institute define da seguinte forma:

“A arte e ciência de organizar e momear websites, intranets, comunidades online e softwares para suportar a boa usabilidade e encontrabilidade da informação.”

Os arquitetos de informação também são conhecidos como User Experience Designers, Designers de Interação, Especialistas em Usabilidade – entre outros termos. A variação diz respeito à área da disciplina em que esses profissionais atuam. Para entender mais sobre as diferentes nomenclaturas, recomendo este artigo sobre as disciplinas do User Experience Design.

Quem são os Arquitetos de Informação?

A Arquitetura de Informação é uma carreira multidisciplinar, o que acaba trazendo para o mercado uma diversidade muito rica de profissionais, formados em diversas áreas do conhecimento. Jornalistas, bibliotecônomos (e bibliotecários), publicitários, designers e até cientistas moleculares – o que conta mesmo é a organização, a capacidade de abstração e o bom senso. Em 2011 a UPA (Usability Professionals Association) fez uma pesquisa para levantar o perfil dos arquitetos de informação brasileiros: características demográficas, formação, cargo, salários, job description e interesses. Vale a pena dar uma olhada nos resultados abaixo e entender um pouco mais sobre mercado.

Interessante como essa é uma profissão que, em poucos anos, passou de zero a quase 1 milhão de profissionais em poucos anos. Tudo isso porque nossas vidas foram tomadas por websites, aplicativos de celular, redes sociais, caixas eletrônicos e outras centenas de interfaces às quais somos expostos diariamente.

O número de Arquitetos de Informação espalhados pelo Brasil ainda é relativamente pequeno se comparado com outros países, então não é muito comum encontrar um deles na fila do supermercado ou na padaria perto de sua casa. Eles ficam tão escondidos que já criaram até um mapa para localizar algumas das empresas, agências, institutos e consultorias que empregam arquitetos de informação em todo o país. O mapa é colaborativo e aceita contribuições de novos lugares. É bacana para ter uma ideia da concentração dos profissionais pelas grandes cidades.

O que eles fazem no dia-a-dia?

Em suma, organizam informação para que elas sejam facilmente encontráveis por quem está procurando. É o mesmo princípio da organização de uma biblioteca: você chega até o balcão (ou terminal de computador), informa o livro que está procurando, e idealmente você encontra o corredor e a prateleira certa onde o livro está, em questão de segundos.

Com a Arquitetura de Informação digital é mais ou menos parecido. Alguém precisou organizar a home do UOL para que você consiga ler as principais notícias do dia e ainda navegar por assuntos específicos. Alguém também precisou criar a interface do caixa eletrônico do seu banco para que, em poucos toques na tela, você consiga realizar a transação que te levou até lá.

Diferente dos Designers Gráficos (os mais conhecidos dentre as disciplinas do Design), o Arquiteto de Informação não se preocupa especificamente com cores, tipografia, alinhamento e outros fatores que compõem uma interface visual. Ele está mais preocupado em “arquitetar” o sistema, e fazer com que ele seja de fácil uso e provoque uma experiência agradável em quem está usando.

E o que tudo isso tem a ver com Educação Corporativa?

Como disse no começo do texto, já faz alguns anos que resolvi me aventurar nessa seara. E ao contrário do que se possa imaginar, apesar da profissão já existir há mais de 10 anos, ainda não existe uma formação específica para esse tipo de profissional. A maioria vem de outras áreas do conhecimento e precisam passar por um processo de autodidatismo até chegar a um nível de conhecimento adequado para ingressar no mercado de trabalho – mercado esse que está sedento por esse tipo de profissional.

Assim como para a Arquitetura de Informação, dezenas de outras profissões estão surgindo à medida em que as empresas migram seus esforços de criação e gestão de produtos físicos para a criação e gestão de produtos digitais. Mudanças como essa no cenário macroeconômico têm impacto direto e quase instantâneo no mercado de trabalho, criando novas profissões, cargos, cursos, eventos, conferências, livros, materiais para estudo, comunidades e até carreiras inteiras em torno de um assunto que há pouco tempo nem sonhava em existir. Estar atento à essas mudanças e o impacto delas no mercado de trabalho pode te colocar de frente com oportunidades que você não teria, ainda mais em mercados onde a procura é drasticamente maior do que a oferta.

 

Fabricio Teixeira 


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