O genérico da ética nas organizações

0 Postado por - 1 de março de 2016 - Ética nas Organizações

Esquisito o título deste artigo?  Não estranhe: o homem é tão inventivo que é capaz de criar soluções inovadoras para o bem e para o mal.  Veja: “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.”  Não está reconhecendo?  Este é o famoso Art. 171 do nosso Código Penal.

No último domingo de janeiro deste ano a revista eletrônica da líder de audiência da TV aberta mostrou uma reportagem em que feirantes que comercializariam legumes, frutas e verduras orgânicas entregam, na verdade, alimentos comprados ali no Ceasa, de onde eu e você compramos a vida inteira, crescendo com todos agrotóxicos permitidos (e também os não autorizados, porque estamos no Brasil).  Isso mesmo: o sujeito compra aquele tomate lotado de inseticida no maior atacadista de alimentos do país por um precinho assim e vende por um preção assim como se fosse a mais pura e limpa fruta da estação.

Estelionato alimentar.  Não bastasse o crime contra o consumidor, os 171 atentam contra saúde e dignidade dos clientes.

O fio da meada aqui é um pedido de reflexão: quantos estelionatos a nossa organização presta aos seus clientes?  Quantos produtos de primeira vendemos com “ingredientes” de terceira para aumentarmos – cá entre nós, “estelionatariamente”  nossa margem de lucro?  Ou, por outra, quantos serviços de primeira prestamos usando produtos de quinta?

Diminuir os custos é obrigação de qualquer organização, ainda mais quando o Estado nos impõem, ou melhor, infringe-nos perdas tão significativas sob forma de tributos e Custo Brasil, mas reduzi-los ludibriando é crime e está prescrito em lei, mais precisamente um Decreto-Lei de 1940.

Voluntária ou involuntariamente, refaça as contas, reveja os processos, para entregar o que se promete.  Porque a desculpa de que “eu não sabia” só cola para figurões da política…

Aqui a regra é a mais simplória possível: não faça com o outro o que não se quer para si.

João Ribeiro


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