O que vai acontecer conosco, da Comunicação Empresarial?

0 Postado por - 26 de abril de 2016 - Comunicação Empresarial

Comecei o que hoje é minha agência de comunicação empresarial/Relações Públicas em 1976, coordenando um lançamento de livros de Poesia. Nada demais, vinte e um livros, exposição de Arte, performances, apresentação do Stagium nos degraus da escadaria, desfile de moda e otras cositas más no Teatro Municipal, em plena ditadura.

Deu tão certo que continuei organizando eventos e um dos serviços do conjunto de atividades, o de assessoria de imprensa, foi se estabelecendo e aqui estamos, sobreviventes de ‘brazis ame-o ou deixe-o’, inflação e hiperinflação, mil planos econômicos, confisco de poupança, hiper tributação, hiper burocracia, o estado fazendo de tudo para liquidar pequenos negócios, insegurança em todo canto, da pessoal à jurídica, falta de saúde, educação, empregos tudo isto culminando com o horror de voltarmos à estaca zero, graças à ideologias que não tendo dado certo em nenhum lugar do mundo, certamente aqui, terra do herói sem nenhum caráter, daria, mas não deu, e estamos todos aqui e agora, na agonia do presente e no pavor do futuro.

Ok, o que será que nós, que pesce pigliamo, como perguntou o Ingenioso Hildalgo ao Mono Adivinhador ? Arrisco cenários baseado em minha experiência de sobrevivente. Quem está pendurado em dívidas, emprego com salário alto, bonus e tudo o mais, prestação de imóvel maior, carro importado, filhos adolescentes em tempo de cursinho ou faculdade, casamento em dúvida, possíveis amores externos, mais de 40 anos e por aí vai, deve imediatamente preparar e implantar plano de guerra, reduzir tudo, avaliar trabalhos independentes, de todo tipo, de franquias populares a licenças de táxi, food trucks ou, in extremis, fazer o que os Judeus que aqui chegaram fizeram e muito bem: vender de porta em porta, formar uma freguesia, viver de trocados.

Quem não tem dívidas, tem salário defasado e trabalha dobrado, faz falta e é uma senhora mão na roda, pode ficar um pouco mais tranquilo se seu padrão de vida for ou possa ser diminuído sem maiores stresses. Se tiver alguma reserva então, melhor ainda. Plano de Saúde dos antigos, sorte grande. Aluguéis e carro velho, bem cuidado, com IPVA baixo, nem se fala.

Quem tem empreendimentos maiores, que vive de grandes verbas deve colocar suas barbas de molho. Não é que falta dinheiro, a liquidez enorme e evidente, vai toda para aplicações que rendem mais do que em qualquer lugar do mundo, incluindo a inflação. Ninguém vai fazer nada maior neste momento, só vamos fazer o básico, o imprescindível e mesmo assim, cortando tudo, to the bare basics.

Quanto pior, melhor ? Navegar não é preciso, negociar é.

Sem dúvida, a comunicação neste momento passa a ter uma importância maior. A publicidade, a prima rica, não tem como trabalhar com as pequenas verbas de assessoria. Não dá. E o trabalho eficaz nas redes sociais é time and people consuming, not easy, na verdade muito difícil agravado pela interconexão, disse o que não agradou, leva troco na hora, no ato, complicado, precisa uma ética, uma dedicação, uma compreensão do Outro que uma organização empresarial maior não tem como ter, SAC não dá, certo ? Em outras palavras, simplesmente não há como organizar um monte de gente para trabalhar assim. A tarefa requer equipes coesas, boutiques, gente que porque ama o que faz, pensa mais em sua realização pessoal do que fazer política interna, subir na empresa, derrubar o colega, competir com cada um ao seu lado.

Na equação da sobrevivência, também entra uma boa capacidade de negociação, de entender o lado do Outro, de se antecipar, de procurar um plano de ganha-ganha, ou, não dando, saber abrir mão para manter os vínculos, a conexão. Não vai ser nem está sendo fácil para ninguém. E ninguém sabe como vai acabar e pior – o que vai sobrar. Certamente a noção de que crise também significa oportunidade pode ajudar – se claro, estivermos preparados para abrir mão de muita coisa, a oportunidade começa do nada, muitos de nós não sabemos ou esquecemos como começar, não é mesmo ?

Nos últimos anos tenho observado o significativo ganho de importância da comunicação; com a internet e nela as redes sociais foram quebrados vários paradigmas: (a) o do Broadcast (um, que detém os meios de comunicação, fala, e todos os outros apenas ouvem, ou veem), (b) o do princípio de que só é possível fazer as coisas em uma organização hierárquica sólida, caso contrário só haverá anarquia, não há possibilidade das pessoas se organizarem por si próprias, como que espontaneamente (há, Wikipedia, Crowdfunding etc) e (c) o de que só há sabedoria e conhecimento nos especialistas (nanana, leia ‘The Wisdom Of Crowds’ ou veja a wikipedia). Com o empowerment das pessoas (odeio a versão ‘empoderamento’ !) através da internet, a comunicação mais pura, mais verdadeira, mais ética passa a ser de rigueur, não funciona mais se não for assim; e o dano que a comunicação instantânea, viral, pode causar para uma marca, uma empresa, uma instituição passou a ser tão real que quem não tiver um time de primeira ao lado da gestão para lidar com o dia a dia e as inevitáveis crises, está, perdão, ferrado.

É isto que estou vendo. Tenho a suspeita de que ao ler você levantou várias questões, concordou com alguns pontos de vista e discordou de outros. E não vê importância em outros. Legal. Comenta e vamos trocar idéias, um dos meus princípios mais sólidos é mudar de ideia quando aparece uma coisa melhor. Até lá.

Oswaldo Pepe


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