Publicidade | Curiosidade vs. raiva

0 Postado por - 22 de agosto de 2014 - Arquitetura de Informação, Publicidade

O texto abaixo poderia ser considerado um verdadeiro manifesto dos User Experience Designers.

Não é. É somente um artigo publicado em um blog que encontrei esses dias. Mas ainda assim, falou bastante comigo e falou bastante com a visão que eu tenho de que as coisas que não funcionam devem ser modificadas.

É para isso que existem os designers, certo? Para criarem e recriarem coisas até que elas satisfaçam as necessidades das pessoas.

Então dá uma lida:

“Existe, parece, um sentimento generalizado na terra da publicidade de que ser “curioso” é uma qualidade desejável de se possuir.

Ou pelo menos é o que dizem.

Particularmente se você se intitula um planejador ou – palavra repugnante esta – um estrategista.

Curiosidade, claro, traz muita coisa boa embutida.

Mas se você quer realmente ser um planejador ao invés de ser simplesmente um descobridor de coisas, se você quer fazer mais coisas do que vender insights, se você quer que as coisas se movam e quer ter controle sobre elas, se você quer mudar o mundo, então simplesmente ser “curioso” não fará isso acontecer.

Você precisa ser contra.

Indignado.

Exasperado.

Ter raiva.

Porque curiosidade é sobre descobrir como as coisas funcionam.

É sobre querer olhar as coisas por debaixo dos panos e descobrir como elas funcionam.

Mas ter raiva é sobre estar insatisfeito com essas mesmas coisas.

E querer mudá-las.

Agora.

Ter raiva nos compele à ação.

Martin Luther King não era um “curioso” sobre os direitos civis.

Ele tinha raiva de sua ausência.

Mudança vem da indignação sobre o status quo.

Mudança vem com raiva de ter que conviver com as coisas do jeito que elas são.

As pessoas não estão “curiosas” no Egito.

Elas têm raiva.

E voltando à terra da publicidade, existe muita coisa pra gente ter raiva.

Produtos que não cumprem o que prometem.

Promessas que são capciosas.

Marketeiros que cientemente poluem mentes e corpos.

Negócios que não entendem a noção de um bom serviço.

Negócios que ainda não acordaram para o fato de que ser uma empresa consciente não é um slide bonito em um ppt, mas realmente o que a empresa faz na prática.

Negócios construídos às sombras de uma duvidosa e conveniente terceirização da força de trabalho.

Marcas que escolhem não informar o consumidor sobre o impacto humano e ambiental de sua manufatura, consumo e lixo.

Conteúdo de marketing que mal esconde seu desdém pela audiência.

Conteúdo de marketing que vergonhosamente apela para o sexismo.

Conteúdo de marketing que polui nosso pouco tempo livre, nosso espaço e nossos ambientes físicos.

A lista é longa.

E em todos esses itens, curiosidade não vai ajudar.

Porque a curiosidade não tem opinião.

A curiosidade não está insatisfeita.

A curiosidade não consegue persuadir e trazer outras pessoas junto.

A curiosidade não vai te fazer prosseguir quando o caminho for árduo.

Resumindo, só curiosidade não é suficiente para as coisas que realmente importam.

Porque – coloque de lado todo esse papo de engajamento, participação, comunidade – o que as pessoas realmente querem e precisam são produtos melhores, serviços melhores, um mundo mais limpo, mais saúde e alegria.

O propósito dos nossos esforços deveria ser ajudar nisso.

Na grandiosidade e na pequenez.

Nosso propósito é fazer a vida das pessoas melhor.

E fazer a vida das pessoas melhor requer visão, impaciência e ação.

Pergunte a Gandhi.

Pergunte a King.

Pergunte a Mandela.

Então se estamos aqui para contribuir para a vida das pessoas, se estamos aqui para cumprir nosso papel por um mundo melhor, então caramba, vamos ter raiva.”

Fabrício Teixeira


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